Na minha infância, as coisas não era fáceis de se obter como hoje.
O pão doce custava caro na padaria e só tinha daquele simples, com um creminho amarelo em cima, era o único tipo que existia. Aí, quando eu tinha vontade de comer pão doce, passava manteiga num pedaço de pão, colocava açúcar e comia. Que delícia!
Paçoca não era coisa que se vendesse em qualquer lugar e quando a gente encontrava era também só para os “abastados” (classe média, com alguma grana) aí, eu pegava meio copo de farinha de mesa, misturava com açúcar e... comia paçoca.
Refrigerante, só existia Guaraná, Grapette (que era como a Fanta uva), Crush (que era igual à Fanta laranja) e só; o resto era refresco de groselha. Como tudo, o refrigerante era caro também e por isso só entrava em casa no almoço de domingo, quando a família sentava toda junta à mesa.
Doce, coisa rara naquela época, era goiabada, marmelada, pessegada ou figada (feita de figo, naturalmente). Havia até uma lata redonda que trazia um quarto de cada sabor.
As coisas realmente começaram a melhorar com o surgimento do primeiro supermercado (gente... sou antiga,eu presenciei isso), as “Casas da Banha”, cuja política era ganhar muito vendendo mais barato e por isso, em grande quantidades. O primeiro deu tão certo, que surgiram várias lojas da Casas da Banha e de muitos outros supermercados.
Aí, o povo começou a comprar bastante comida, porque o preço permitia. Me lembro que mamãe comprova uma mortadela inteira, para fazer merenda pra levarmos à escola. Goiabada, comprada em pedaços, a granel, era mais barato.
Aí, além da quantidade, tinha a variedade.
Na minha infância, o que tinha de sobra e, talvez por isso hoje eu não ligue, era carne porque o papai era sócio do açougue e, frutas porque os donos da quitanda eram dois homens solteiros, amigos e vizinhos nossos, que todo domingo pela manhã nos davam um cesto grande cheio de frutas com pequenas marcas de amassado ou muito maduras, que não conseguiriam mais ficar em exposição sem estragar.
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